sexta-feira, abril 01, 2016

Semblântica Cibernética: o hibridismo entre o homem, a máquina e o descarte

Foto: Lauro Vasconcelos

Apresento a obra "Semblântica Cibernética", uma assemblage tridimensional que propõe um mergulho profundo nas fronteiras entre o orgânico e o tecnológico. Criada em 2014, esta escultura de grandes proporções (180 x 83 x 36 cm) teve o reconhecimento de ser selecionada para o VI Salão de Artes de São Luís, em 2016.

Da praia ao ateliê: a matéria-prima

A gênese desta boneca reside no rastro de destruição deixado pelo ser humano. Boa parte do material que a compõe foi colhido nas areias da praia de São José de Ribamar (MA). São fragmentos de lixo e descartes tecnológicos que ganharam uma nova vida artística:

  • Composição: plásticos, polímeros, PVC, metais e componentes eletrônicos.

  • Peso: 6,5 kg de resíduos transformados em estética.

O conceito: homem mutante e a carne de silício

A "Semblântica Cibernética" é um hibridismo. Ela representa a transição do homem de carne para um ser mutante e parabiótico. É a materialização da nossa era, onde a "carne úmida" se funde a fios, metais e silício.

A obra nos confronta com a configuração Mente + Corpo + Hardware + Software. Ao observar seus seios e nádegas integrados a peças eletrônicas, somos levados a refletir sobre a obsessão estética e a dependência tecnológica: somos nós que controlamos as máquinas, ou já nos tornamos parte delas?

Arte como debate social

Mais do que um objeto visual, a boneca é um convite à reflexão sobre:

  1. Educação ambiental: o que estamos fazendo com o nosso lixo?

  2. Economia Criativa Sustentável: como o empreendedorismo cultural pode ressignificar o que a sociedade chama de "sucata".

  3. Valores estético-socioeducativos: a transformação da matéria como ferramenta de debate político e social.

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