Apresento a obra "Semblântica Cibernética", uma assemblage tridimensional que propõe um mergulho profundo nas fronteiras entre o orgânico e o tecnológico. Criada em 2014, esta escultura de grandes proporções (180 x 83 x 36 cm) teve o reconhecimento de ser selecionada para o VI Salão de Artes de São Luís, em 2016.
Da praia ao ateliê: a matéria-prima
A gênese desta boneca reside no rastro de destruição deixado pelo ser humano. Boa parte do material que a compõe foi colhido nas areias da praia de São José de Ribamar (MA). São fragmentos de lixo e descartes tecnológicos que ganharam uma nova vida artística:
Composição: plásticos, polímeros, PVC, metais e componentes eletrônicos.
Peso: 6,5 kg de resíduos transformados em estética.
O conceito: homem mutante e a carne de silício
A "Semblântica Cibernética" é um hibridismo. Ela representa a transição do homem de carne para um ser mutante e parabiótico. É a materialização da nossa era, onde a "carne úmida" se funde a fios, metais e silício.
A obra nos confronta com a configuração Mente + Corpo + Hardware + Software. Ao observar seus seios e nádegas integrados a peças eletrônicas, somos levados a refletir sobre a obsessão estética e a dependência tecnológica: somos nós que controlamos as máquinas, ou já nos tornamos parte delas?
Arte como debate social
Mais do que um objeto visual, a boneca é um convite à reflexão sobre:
Educação ambiental: o que estamos fazendo com o nosso lixo?
Economia Criativa Sustentável: como o empreendedorismo cultural pode ressignificar o que a sociedade chama de "sucata".
Valores estético-socioeducativos: a transformação da matéria como ferramenta de debate político e social.
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