Esta obra é fruto de um trabalho livre desenvolvido no Ateliê de Cerâmica do Curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Mais do que uma simples modelagem, a peça propõe um diálogo entre a realidade cotidiana e a teoria da arte.
A inspiração e o conceito
A escultura retrata uma cadelinha inspirada nos animais que habitam as nossas ruas. A composição final apresenta a figura sobre uma miniatura de caixa de frutas, simbolizando o improviso e o cotidiano urbano.
O nome da cadelinha, Aura, não foi escolhido ao acaso. Trata-se de uma referência direta ao conceito de Walter Benjamin em seu ensaio sobre a "reprodutibilidade técnica". Para Benjamin, a aura de uma obra de arte é a sua existência única, sua autenticidade e o peso de sua trajetória no tempo e no espaço.
Técnica e exclusividade
O processo de criação seguiu os rigorosos padrões da cerâmica artística:
Material: argila modelada manualmente.
Acabamento: pintura em esmalte cerâmico.
Queima: vitrificada em alta temperatura, o que garante a durabilidade e o brilho característico.
Devido ao sucesso da peça, recebi pedidos de amigos para que eu criasse um molde para reprodução em série. No entanto, decidi que Aura permanecerá como uma obra única. Fazendo jus ao nome, sua essência reside justamente na singularidade e na impossibilidade de ser multiplicada tecnicamente, preservando sua "autenticidade" original.

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