Este trabalho é fruto da minha primeira experiência prática com a técnica da xilogravura, desenvolvida na disciplina Gravura, do curso de Licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Sob a orientação da Profa. Dra. Regiane Caire, fomos provocados a utilizar a linguagem da gravura para abordar os urgentes problemas ambientais do planeta.
A inspiração: o rio Citarum
A obra traz uma reflexão visual sobre a poluição das águas, tomando como referência o Rio Citarum, na Indonésia, tristemente conhecido como um dos mais poluídos do mundo. A composição foi adaptada de uma imagem encontrada em pesquisas na internet (de autor não identificado), transposta para a matriz de madeira com o objetivo de dar relevo à crise ecológica atual.
O processo técnico
A xilogravura é uma técnica milenar de impressão que exige paciência e precisão. Abaixo, descrevo as etapas dessa produção:
A matriz: Utilizei uma placa de madeira de castanheira, onde o desenho foi detalhado antes de iniciar o corte.
O entalhe: Com o uso de goivas (ferramentas de corte), escavei a madeira criando sulcos. Na xilogravura, as áreas que permanecem em alto relevo são as que recebem a tinta, enquanto os vãos escavados resultam no branco do papel.
A tintagem: Apliquei uma tinta gráfica de base oleosa, a mesma utilizada em grandes gráficas para a impressão de livros, o que garante uma cor intensa e duradoura.
A impressão manual: A transferência da imagem para o papel de alta gramatura foi feita de forma artesanal, utilizando a pressão de uma colher contra o papel sobre a matriz entalhada.
Reflexão final
Participar deste processo dentro da academia me permitiu entender que a arte não é apenas estética, mas uma ferramenta poderosa de denúncia. Traduzir a poluição de um rio para a textura orgânica da madeira cria um contraste que nos faz pensar sobre a nossa relação com a natureza.



Nenhum comentário:
Postar um comentário